
Não é de se admirar que não escolhi francês como habilitação no curso de Letras.
Na verdade, EM NENHUM MOMENTO
ME PASSOU PELA CABEÇA FAZÊ-LO,
INCRIVELMENTE!
Desde o começo, estive entre alemão e italiano. Acabei optando pelo primeiro, e mesmo com todas as dificuldades da língua, nunca, NUNCA pensei que poderia/deveria ter escolhido outra coisa. Até fiz estágio num órgão franco-brasileiro, e tinha amigos do francês, mas nunca pensei em fazer francês.
Só que, depois de um tempo, a poeira do Lycée baixou...
Faculdade acabou, eu dando aulas de alemão - algumas poucas, o que conseguia no CEL. Mas os semestres passavam e o número de aulas não aumentava... Tentava em outras escolas mas não consegui nada...
Então pensei: "Por que não usar meu francês?" E resolvi. "Vou dar aula de francês também!" Fui atrás de uma certificação e logo comecei a lecionar francês no mesmo CEL em que dava alemão, e logo surgiu vaga em um sindicato, outro CEL...
Mas logo essa coisa de ensinar 2 idiomas começou a pesar. O cansaço mental de pensar, interagir, fazer formação continuada em 2 idiomas tão complexos era enorme, e o estresse e a ansiedade, crescentes. Então, decidi ficar com uma só - a que eu dominava mais e que me dava mais aulas - e fui tirando a outra aos poucos...
Em 2020, encerrei a última turma de alemão, depois de 10 anos ensinando essa língua ("paguei" a faculdade pública e ainda sobrou). Fiquei triste mas aliviada...
Neste ano de 2021, no fim do ano, fará 6 anos que comecei a lecionar o francês ("vou ter pago" minha bolsa no Lycée)...
Não à toa, chegando nesse último CEL em que estou agora, no começo do ano passado, recebi um enigma em forma de livro, e que só desvendei ontem.
Primeiro conto como foi: eu estava arrumando os armários de francês, vendo o que havia de material, dando uma geral. E, no meio dos livros de leitura, me deparo com um livro muito familiar. Era igualzinho a um que usei no Lycée no meu 1o ano lá - 1995.
Era de uma peça de teatro conhecida, que inclusive montamos (por livre e espontânea pressão...). Naquele átimo em que eu pegava o livro, olhava a capa e ia abrindo, lembrei do livro que eu tinha, do dia da apresentação e de tê-lo perdido nos bastidores...
E uma vez aberto, lá estava meu nome, com a minha letra, na folha de rosto! Fiquei de queixo caído, saí contando pra todo mundo que estava por perto, foi absurdamente incrível e incrivelmente estranho... Algo assim não podia se dar sem propósito, eu simplesmente não acredito na não existência de sentido e destino... O objeto em si, a forma e o local em que me voltou às mãos, o tempo que tomou, seu percurso - e o meu...
Ficou bastante óbvio pra mim o recado e qual será nosso desfecho.

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