(na verdade era pra já estar no meio da viagem, mas só senti escrever agora).
Mas por mais que me entristeça não poder
agora estar sob o sol ibérico,
nada se compara a ter a família
viva e bem.
Após dias de agonia no PS,
no hospital de campanha, UTI,
nas idas e vindas, tentando visita,
tentando notícia, contato, o que fosse.
Com ligações inconstantes do médico,
às vezes inexistentes após dias,
A angústia de não saber do próprio pai,
Depois a mãe, que se descobre doente.
E saber que semanas antes, fui eu
que senti os sintomas - febre, cansaço,
fraqueza, enjoo e falta de paladar.
É obvio que eu trouxe a doença pra casa...
Agora estão todos já bem.
E eu sem férias
e tendo que dar aula remotamente -
e capengamente, pois foi do nada,
e já nos vimos mandando atividades,
tendo infinitas reuniões, formações,
para tentar minimizar todo impacto
nas vidas jovens e velhas de aprendizes,
para tentar manter um eixo...
***
Numa realidade paralela,
estamos agora, eu e Diego,
em algum lugar de Madri, flanando,
respirando sem precisar de máscaras,
pois não aconteceu Coronavírus,
não tão morrendo milhares por dia,
Bolsonaro ainda não é o pior
presidente do mundo - mas isso é
só questão de tempo...
***
Por ora, eu tento
Aproveitar o que ainda há aqui de bom,
Mas sem me alienar nisso e no trabalho,
No jogo político, nas notícias
dissonantes
Pois é hora de parar,
meditar, transcender e transformar...
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